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DINAMIZAÇÃO DA ATIVIDADE ECONÔMICA

Benedicto Ismael C. Dutra
24/07/2012



Os humanos com o seu imediatismo e ganância querem tudo para si e para os seus, esquecendo-se de que sem equilíbrio não pode haver um futuro de paz e progresso geral.

Inegavelmente a economia mundial atravessa uma fase crítica, muito diferente de todas as anteriores pelo fato de estarem presentes vários ingredientes simultaneamente, colocando o PIB mundial em fase de encolhimento. Não se tratam de profecias catastrofistas como bem gostariam alguns de simplificar para continuar no mesmo jeitão de até agora sem maiores preocupações. O sistema econômico mundial está engasgado, fato reconhecido por muitos estadistas, mas as causas ainda estão camufladas.

Há uma crise no ar, por trás dela atua a inflexibilidade das Leis da Criação que estão concluindo um ciclo em velocidade acelerada. Nem socialismo, nem capitalismo causaram essa confusão que estamos assistindo, mas sim a ganância egocêntrica do ser, dito humano, mas que, com frieza, age em oposição ao sentido da vida.

No parecer de Paulo Itacarambi, vice-presidente do Ethos: "O que está em crise é o modelo de desenvolvimento. Soluções paliativas de natureza financeira não resolvem, porque haverá um repique logo em seguida. O modelo de desenvolvimento construído há tempos é insustentável e nessa crise se juntam várias crises. Não é só financeira, é também climática, de alimentação, é uma crise de energia. São várias crises juntas".

Sua sugestão é que todo recurso financeiro que circula no mundo em busca de rentabilidade busque-a na produção real em bases sustentáveis. "É preciso investir em bases que levem ao desenvolvimento sustentável, com menor impacto ambiental, com inclusão social e que a riqueza produzida seja distribuída entre todos." (Valor Econômico 15/6/2012).

Desde os anos 1980 assistimos ao processo de transferência da produção industrial para a Ásia. Quantidades gigantescas estão sendo produzidas com os benefícios da economia de escala, da especialização e de mão de obra mais barata. Agora se percebe que não há como competir com a produtividade asiática, da China, da Índia e outras. E não é só no Brasil, apesar de nossas crônicas deficiências. A Europa também enfrenta os mesmos problemas, e nos EUA a qualidade dos empregos disponíveis não é mais a mesma. Em reunião com empresários no auditório da FIESP o ministro da Fazenda, Guido Mantega, reconheceu que a crise global que se aproxima trará muitas consequências indesejáveis.

Evidentemente todos devem ter oportunidade de desenvolvimento e busca de uma vida de mais qualidade, mas isso deve ser feito com equilíbrio, senão a economia desanda. Há que se considerar que a população é constituída de seres humanos que precisam de oportunidades para um viver condigno com educação, saúde e evolução. No entanto tem sido pensada simplesmente como mão de obra que deve produzir para consumir, sem muitas possibilidades e incentivos para sair dos baixios onde nasceram. No Brasil ainda contamos com algumas possibilidades. Não basta o aumento de crédito aos consumidores, temos de aumentar o número de pessoas em condições de tomar crédito através de preparo e investimentos. Temos de melhorar a eficiência do gasto público. Em vez de fazer uma obra ao custo de três, façamos ao menos duas, o que deverá gerar mais empregos.

O dinheiro deve circular com equilíbrio. Se os mecanismos canalizam os recursos para os polos de atração, sempre vai faltar dinheiro nos polos neutros e transferidores de recursos. São mecanismos de circulação montados com o objetivo de sugar os recursos, isso acarreta muitos problemas pela falta de atenção à lei básica do equilíbrio, doar e receber, receber e doar. Com os recursos naturais ocorre o mesmo, se continuarmos sugando as florestas, os solos, os mares e os minérios de forma predatória, eles tendem à extinção. Os humanos com o seu imediatismo e ganância querem tudo para si e para os seus, esquecendo-se de que sem equilíbrio não pode haver um futuro de paz e progresso geral.

Agora, com sete bilhões de habitantes e com tendência para chegar a nove em poucas décadas, tudo aponta para uma grande ruptura que imporá a necessidade de reorganização da economia. O consumo global já está superando em 30% a capacidade de reposição do planeta. O lastro de dignidade humana também se apresenta erodido pela ausência de uma verdadeira ética moral e espiritual. No campo social, está sendo montada uma bomba de insatisfação e descontentamento, gerando o “salve-se quem puder”. Urge organizar atividades produtivas para as novas gerações para que não decaiam no abandono e desinteresse pela vida.

Enfim, estamos diante da grande crise da humanidade, a qual provocará a ruptura de muitas coisas que ainda dão a impressão de estarem bem firmes, gerando uma situação que exigirá visão aberta e desprendimento para que possa surgir um novo modelo de gestão econômica não só para produzir bens, mas também voltado para o real aprimoramento humano, com paz e felicidade, sem que o controle possa permanecer nas mãos de indivíduos desumanos que só pensam em si e no seu apego ao poder e domínio, esquecendo-se de que não passamos de peregrinos transitórios em busca da evolução integral.



Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”,“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” e “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade (Madras Editora)”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
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