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TEORIA E REALIDADE

Benedicto Ismael C. Dutra
01/11/2012



O mundo não foi feito de dinheiro, portanto estabelecer o dinheiro como finalidade máxima da vida, com uns poucos buscando vantagens em prejuízo dos outros, é uma cegueira que está levando ao descalabro.

As coisas não andam bem. Desemprego, depressão, endividamento público e privado, destruição da natureza, conflitos. Qual foi o erro da civilização para cairmos numa situação tão complicada, agravada com o aumento da população, redução dos empregos, queda na atividade econômica e na receita pública?
 
Na natureza tudo funciona de forma simples, em progressão natural, mas os teóricos costumam complicar as coisas. Na Economia isso fica bem visível, fala-se de tudo, mas não se chega ao consenso do que deve ser feito, principalmente agora quando a maioria dos países se debate em crises. Estimular o aumento do consumo promove o crescimento econômico e aumento da oferta de empregos? A austeridade traz o crescimento de volta? Juros elevados controlam a inflação? Aumentar a liquidez reanima a economia? O protecionismo garante o fortalecimento industrial? Como competir com importados produzidos externamente em larga escala e que adentram pelo custo marginal? Como superar a secular desigualdade social? Por que educação, saúde e saneamento têm recebido tão poucos cuidados?
 
Como a natureza, a economia deveria ter um desenvolvimento paulatino acompanhando o crescimento equilibrado da população. No entanto o sistema tendeu para a concentração da riqueza entremeada com surtos de expansão impulsionada por bolhas que, atingido um determinado limite, perdem a força, provocando perdas e estagnação.
 
As bolhas infladas nos últimos cem anos se apresentaram como as mais danosas ao chegarem ao esvaziamento, pois ocorreram em cenário extremamente complicado por vários fatores negativos. Para a humanidade míope é mais fácil visualizar como chegamos às crises, do que visualizar as soluções.
 
Na formação e crescimento das bolhas, os preços se vão afastando do nível adequado aos fundamentos. Os primeiros especuladores a entrar vão embolsando os ganhos e saindo. Os que vão entrando por último ficam sem saída. Quando a valorização perde o impulso, retrocedendo, muita coisa vai decaindo, e a economia como um todo fica travada. Cai o rendimento assalariado, o consumo, e as receitas do Estado.
 
Ao dirigir os esforços para o aumento do poder econômico, a humanidade afastou-se da progressiva evolução humana. Com a concentração do poder econômico, o poder político ficou vulnerável. A ânsia de ampliar ganhos estimula a corrupção. O Estado se descuida de sua função para atender interesses particulares em detrimento do todo. Enfim, qual deveria ser realmente a finalidade da administração pública? Qual a finalidade da vida?
 
As bolhas imobiliárias se formaram através do impulso do crédito farto e barato. Quando a sustentação acabou, apareceu o buraco financeiro, então os governos tiveram de intervir. Quem tinha autonomia emitiu dinheiro, quem não tinha foi contraindo empréstimos. Com o declínio das receitas, veio a ameaça de inadimplência e o mercado reagiu impondo taxas de juros elevadas.
 
Resumo da ópera: o que tem faltado nos rumos da civilização é vontade e ações que busquem um desenvolvimento equilibrado com avanço na escolaridade média. O mundo não foi feito de dinheiro, portanto estabelecer o dinheiro como finalidade máxima da vida, com uns poucos buscando vantagens em prejuízo dos outros, é uma cegueira que está levando ao descalabro.
 
A continuar esses pressupostos, nem dá para imaginar o futuro diante da explosão do crescimento populacional. Se não conseguimos estabelecer um modo de vida equilibrado com uma população compatível com os recursos disponíveis, com o aumento da população em mais um a dois bilhões, em poucos anos poderemos chegar ao caos absoluto. Com seu egocentrismo e mania de grandeza a humanidade tem desperdiçado força, provocando devastações em vez de buscar embelezamento e soerguimento pessoal e do ambiente, para a paz e a alegria de todos.
 
Segundo Abdruschin, se a humanidade não tivesse se desviado do caminho da evolução, “ao invés de devastações estender-se-iam jardins floridos perante nós, convidando para a atividade bem-aventurada, através do trabalho cheio de gratidão de pacíficos cidadãos terrenos”.



Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”,“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” e “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade (Madras Editora)”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
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