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O ENDIVIDAMENTO E SEUS RISCOS

Benedicto Ismael C. Dutra
25/06/2013



Quando começamos a ter a sensação de que a moeda está perdendo valor e que as coisas começam a custar mais que o dinheiro que dispomos, chamamos isso de inflação. Quando a atividade econômica se reduz e os preços caem, falamos em depressão. Estamos diante dos mistérios do capital. Se falta dinheiro, ocorre uma paradeira dos negócios e redução dos empregos. Por outro lado, se a circulação da moeda avançar mais do que a produção de bens, ou se ocorrer um sensível aumento do crédito com baixo custo, as pessoas passam a ter meios para promover um aumento no movimento de compras que vai impactar no aumento dos preços, simultaneamente com a desvalorização do dinheiro.

Causas internas ou externas estão associadas ao mesmo mecanismo, ou seja, um rápido aumento na possibilidade de fazer compras. Na economia globalizada, o excesso de produção de dinheiro em alguns países acaba transbordando, causando interferência onde a moeda se fortalecer com a invasão. Valorização cambial influi no comércio externo, podendo incentivar as exportações, ou as importações. A elevação da taxa de juros tem sido usada para atrair capitais e frear o consumo.

A economia saiu do rumo e ainda não foram encontradas formas para restabelecer um novo equilíbrio mais saudável e mais equânime, que possibilite a produção, empregos e o consumo, sem que os países entrem numa rota de endividamento. Na movimentação globalizada do dinheiro com os juros compostos e a contabilidade, a acumulação pode tender para o infinito, criando um imenso estoque virtual de liquidez. Crises bancárias e estouro das bolhas especulativas provocam o congelamento do crédito, repercutindo na atividade econômica, provocando redução das atividades e dos empregos.

Não parece estranho que bancos venham a público para dizer que tiveram prejuízo de vários bilhões de euros ou dólares? Fala-se de operações financeiras de alto risco, mas ninguém nunca fica sabendo os detalhes dessas transações. A concorrência se torna feroz, a insegurança aumenta. Quem sabe com precisão a origem da crise: estouro da bolha imobiliária e do subprime? Excessivo endividamento dos Estados soberanos? Concorrência globalizada? Procura-se um porto seguro; onde encontrá-lo? Será que a situação estabiliza ou desmorona?

A questão do endividamento e suas consequências sempre são esquecidas. Pagar a dívida sangra, mas os administradores públicos não se corrigem e estão sempre aumentando os déficits. Niall Ferguson escreve em A Grande Degeneração, que o declínio do ocidente está acontecendo, mas o que presenciamos é o declínio da humanidade que, apegada ao dinheiro, descuidou do sentido da vida e da sustentabilidade. Agora ninguém sabe o que fazer para restabelecer o equilíbrio.

Em meio a uma guerra econômica não declarada, estão surgindo experimentações de medidas incomuns, como o aumento de liquidez promovido por norte-americanos, europeus e japoneses, ou o congelamento de depósitos bancários. Fala-se muito em paz, mas as lutas pelo poder ficam à frente, determinando as prioridades. Ainda não estabelecemos um objetivo comum de conquista da paz e das condições para o progresso real. Se isso não foi alcançado quando a população mundial situava-se em níveis mais condizentes com os recursos disponíveis, agora que estamos extrapolando todos os limites da sustentabilidade, isso fica mais difícil ainda.

O comércio, a produção e as finanças globalizadas vêm possibilitando o aumento da produção, mas também a progressiva concentração da riqueza e do controle do poder, pois os negócios têm de ser bem estruturados para garantir acumulação continuada de lucros. As empresas transnacionais passaram a ter grande influência sobre o nosso modo de vida. Dependemos muito delas e da sintonia que adotam, podendo contribuir para a sustentabilidade, possibilitando um viver ameno em busca do aprimoramento humano ou, numa guerra de disputas econômicas, conduzir a humanidade e o planeta à beira do abismo. Esperemos que os egocentrismos sejam postos de lado para caminharmos na direção da paz mundial, com progresso e qualidade de vida.



Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”,“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” e “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade (Madras Editora)”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
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