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O LEITOR

Benedicto Ismael C. Dutra
01/03/2009



A sociedade humana tem vivido na ilusão de que é guiada pelos princípios morais, o que a faz sentir-se muito superior, mas isso não é verdade, pois sobre a moralidade foram sobrepostos os conceitos produzidos nas frias oficinas dos cérebros. Ao se sujeitar exclusivamente ao raciocínio, o ser humano acorrentou-se ao mundo material, ignorando tudo o mais que o cérebro não consegue captar, portanto, atuando numa área muito restrita.
 
Assim surgiu o mundo fictício das aparências criado pelo próprio raciocínio humano em sua restrição. Não precisa ser real, basta ter a aparência de real para ser aceito, por isso, nas avaliações dos atos nem sempre prevalecem os fatos e motivações reais, mas sim as evidências examinadas sob o foco das leis criadas pelo raciocínio humano, através das quais se define o que é certo e o que é errado, independentemente da moralidade e da ética.
 
Hanna Smith, produto desse meio, aferrou-se à rigidez das normas e regulamentos a ela impostos, e o seu coração emudeceu, não sendo mais capaz de se sobrepor ao domínio de seu próprio raciocínio. Presa ao raciocínio, ela não conseguiu agir com humanidade, e não abriu as portas da igreja em chamas para que os prisioneiros pudessem se salvar. Em O Leitor, podemos observar exatamente isso, ou seja, o domínio absoluto do raciocínio fazendo se alastrar um estilo de vida vazia e sem sentido.
 
Dominados pelo cérebro, sem o calor do coração, os seres humanos se tornaram altamente destrutivos e nocivos à obra da Criação, chegando ao extremo de atentar contra a própria vida. Em meio a tudo isso, a até hoje incompreendida força sexual é exibida em cenas de forte impacto sensual.
 
Por outro lado, num aspecto positivo do filme, o garoto Michael dá um ótimo exemplo para as novas gerações: ele sabia ler bem e lia de tudo. Mesmo assim, não conseguiu se libertar da restrição intelectiva e comunicar-se com o seu eu interior e tornar-se um ser genuinamente humano, capacitado a criar um mundo onde a mútua consideração entre as pessoas e os povos estabeleceria a paz duradoura e a felicidade na Terra.



Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”,“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” e “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade (Madras Editora)”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
Comentários:


Isabel (isabelmsaid@yahoo.com.br) comentou em 03/07/2011 - 12:07:21

Sr Ismael,

Sob um outro enfoque, o filme O Leitor traz uma reflexão interessante sobre o analfabetismo. Hanna, por exemplo, quando foi acusada de crime político, prefere a sentença de prisão perpétua a revelar sua condição de analfabeta o que contribuiria para a diminuição de seus dias na prisão. Era o sentimento de vergonha de não saber ler nem escrever tendo em vista o preconceito da própria sociedade.

Outro aspecto interessante são as ações de Michael em relação à leitura quando ajuda Hanna a ser aproximar das letras. Ele narrava histórias e as gravava em fitas, enviando-as para ela. Depois de um tempo, Hanna continua seu aprendizado através de livros emprestados da biblioteca da prisão. Através da leitura e do conhecimento adquirido ela pede a revisão de sua pena e consegue ser libertada.

Nessa perspectiva, a atitude de Michael no mostrou que o audiolivro pode ser um instrumento de mediação de leitura e um elemento auxiliador no aprendizado de adultos que não sabem ler. Não restam dúvidas da importância do incentivo da família, dos professores e da sociedade em relação a esse aprendizado.

Abraço,
Isabel


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