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A MELHORA É SEMPRE POSSÍVEL

Benedicto Ismael C. Dutra
16/02/2014



No ano de 2001, a Argentina enfrentou pesada crise devido ao descontrole das contas, excesso de gastos do governo, dívidas elevadas e o artificialismo da paridade cambial. Naquela época, um peso valia um dólar, o que inviabilizava suas exportações. Com o fim da paridade, o castelo de areia foi ao chão.
 
Então, a próspera capital Buenos Aires, uma das cidades mais belas e bem construídas do planeta, com magníficas praças arborizadas e jardins floridos, começou a apresentar indícios de miséria, pois a economia parou de funcionar, dando origem aos aglomerados de moradias precárias nos bairros mais afastados.
 
Foi-se o tempo do "Mi Buenos Aires querido", como dizia a célebre canção. Os poetas da atualidade já não apresentam mais aquela inspiração movida pelo apego à terra onde vivem. Em 2014, com a forte escassez de dólares, a moeda argentina ficou leve: são necessários 8 pesos para comprar 1 dólar. Ruim? Na China a relação da sua moeda (yuan) para o dólar há anos não é muito diferente disso, e com isso o país asiático se tornou uma potência econômica. Atualmente a paridade da moeda chinesa com a norte-americana está de seis para um.

O problema dos países atrasados é que caíram na armadilha de manter o dólar barato para assegurar suprimentos importados, ao invés de fortalecer a produção interna. Isso trouxe endividamento e aumento das importações. O câmbio valorizado dá a impressão de que tudo vai bem, enquanto durar o suprimento de dólares, mas os déficits terão de ser cobertos com financiamento, criando a dependência. Quando o dólar fica escasso e mais caro, todos os produtos importados têm seus preços alterados para cima; as dívidas também, criando um caos nos bolsos. Isso não agrada à população e assusta a classe política apegada às reeleições.
 
Sabemos que embora as pessoas não sejam iguais entre si, havendo grandes diferenças no seu desenvolvimento pessoal e no grau de maturidade espiritual, não se nota, da parte dos governos, maiores esforços para favorecer e melhorar as condições gerais dos indivíduos, incluindo aqueles que se movimentam por si, o que possibilitaria equilibrar e aumentar as oportunidades e o bom preparo para a ascensão social. De norte a sul, isso nunca fica nitidamente explicitado nos orçamentos governamentais. Raramente fazem o que é essencial; no entanto estão sempre em déficit. Também faltam estímulos que fortaleçam nos indivíduos a busca da ampliação do saber, pois os seres humanos acabaram se subordinando docilmente às influências negativas das trevas dos erros que os mantêm acomodados e acorrentados à indolência.
 
Nos anos 1960, os jovens se rebelaram contra a situação difícil em que a humanidade se encontrava. No entanto, a sua revolta e inconformismo não iam além de uma confrontação ideológica entre o capitalismo e o socialismo, sem que houvesse um aprofundamento sério nas causas da continuada decadência da humanidade, ligadas ao egoísmo e à cobiça de poder.
 
Desde tempos imemoriais, o objetivo da vida sempre foi a busca do aprimoramento, do autoconhecimento, e da evolução. Atualmente, em quais propósitos de vida as novas gerações estão sendo orientadas? Há uma pressão para o comodismo, para a aceitação das condições vigentes como se fossem irreversíveis. Falta uma visão clara de melhor futuro. Há uma grande indiferença por tudo. Lamentavelmente, não estão sendo oferecidos modelos altruístas para seguir, nem são dadas oportunidades para discutir as precariedades da vida, o que incentiva a persistente busca de melhores condições gerais. E com isso, o que se perde é o fator humano.
 
Não há mais a preocupação com o tornar-se um ser humano, e assim a sociedade se embrutece. Aquele que é dotado de coração generoso, tem respeito pelo seu semelhante. A falta de consideração deriva do egoísmo, e este impele cada pessoa a sempre levar vantagem à custa do outro. Necessitamos de mudança fundamental nas bases do pensar da humanidade. Como seres humanos temos o dever de examinar o mundo em que vivemos e o sentido da nossa vida, agindo de forma a tornar o nosso mundo melhor e acolhedor.



Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” ,“A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin - Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
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