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FLEXIBILIZAÇÃO E AUSTERIDADE

Benedicto Ismael C. Dutra
27/02/2014



Na turbulência de nossos dias, temos de ter a coragem de confrontar o status quo, mostrando onde se escondem os pontos críticos que impedem que a economia reaja de forma positiva. Não basta injetar dinheiro e reduzir os juros, pois a produção e o comércio seguem seus rumos próprios na busca dos melhores resultados.

O câmbio é, sabidamente, de grande importância. Muitos governos optam por mantê-lo valorizado como meio de controlar a inflação e atender a população de baixa renda com produtos importados com preços inferiores aos custos internos. Mas ao fazerem isso, estão permitindo que parte da renda atravesse as fronteiras para remunerar mão de obra de outros países. Assim, parte da renda é transferida, o que vai afetar o comércio interno pela sua menor disponibilidade em mãos da população. Produção e comércio andam juntos. Como estimular a demanda se grande parte dos produtos industrializados são fabricados fora do país?  Onde estão os empregos? Consumo e produção devem andar em paralelo. Recebendo salários através do emprego na produção, as pessoas podem fazer compras, e tudo entra em movimento.

Sem equilíbrio no comércio exterior, logo surgem os inconvenientes. Quem exporta produtos primários e importa produtos de maior valor agregado está terceirizando a produção. Isso pode ser interessante para os comerciantes que operam em escala global, beneficiando-se do preço e do câmbio; no entanto isso é muito danoso para a economia do país e seu desenvolvimento industrial, mormente se a produção contar com subsídios e utilização de mão de obra escrava, pois a competição fica muito difícil.

Trata-se de um acontecimento elementar, mas tem sido praticado em larga escala pelo mundo afora, desregulando a economia no seu todo. Não é por acaso que muitos países da Europa e os Estados Unidos estejam amargando desemprego e economia sem dinamismo. Lamentavelmente, o Brasil também caminha nessa direção que elimina a autossustentabilidade da economia e reduz a evolução do seu povo. Novamente estamos com déficit na balança comercial e junto com os demais encargos de remessa de lucros, serviços, e de viagens, isso poderá nos levar a estender outra vez o chapéu no mercado financeiro de curto prazo.

Os países almejam tudo para si, cobiçando o que o outro tem, usando de todos os artifícios para conseguir o que querem: as matérias-primas e os mercados dos outros. Não há equilíbrio. Um negócio, para ser bom, precisa ser bom também para as partes envolvidas. Precisamos de acordos de comércio que promovam o progresso e dinamizem a atividade econômica e o nível de educação para que a qualidade possa ser continuamente aprimorada. Tem de haver reciprocidade e não vantagens apenas para alguns, enquanto a grande massa não recebe a mínima consideração, a qual deveria se revelar na qualidade do trabalho e dos produtos. É comum encontrarmos no mercado produtos de baixíssima qualidade com preços acima do que seria razoável.

Nesse cenário, a economia vai se desarrumando cada vez mais. Muitos países estão endividados acima de sua capacidade de pagamento. Nos grandes centros mundiais de turismo chega, diariamente, uma massa de consumidores compulsivos, vindos de todas as partes; porém, muitos dos produtos estão vindo da Ásia, enquanto as novas gerações se quedam desorientadas sem oportunidades de trabalho. Há o risco de que as revoltas se ampliem, sem que se formulem alternativas enobrecedoras da vida, levando tudo ao delírio das massas e ao declínio humano.

Os governantes, preocupados com déficit financeiro, estão gerando um desequilíbrio maior ainda na área dos empregos. Tudo ficou mais difícil, com menos oportunidades e mais precarização das condições de vida. Há apenas grande austeridade para que as dívidas soberanas possam ser resgatadas. Esperemos que a escolha de Roberto Azevêdo para a direção da Organização Mundial do Comércio, enseje um arejamento das relações de troca, até agora dominadas pela truculência dos mais fortes.

No passado recente, tínhamos boas escolas, oportunidades de emprego e esperança. Com a globalização econômica, as coisas mudaram. Necessitamos restabelecer a boa vontade entre os homens para que tenhamos de volta a paz e a alegria.



Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” ,“A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin - Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
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