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A ARTE RETRATA A REALIDADE ATUAL

Benedicto Ismael C. Dutra
27/02/2014



Duas obras artísticas lançadas recentemente – o filme Sem proteção, estrelado e dirigido pelo ator e diretor norte-americano Robert Redford, e o livro A grande degeneração, do historiador britânico Niall Ferguson – apresentam em comum a mesma temática: a decadência do Ocidente.

O filme prende a atenção pela história, sem precisar recorrer aos efeitos ruidosos, palavrões e cenas de sexo tão comuns e presentes em boa parte das obras cinematográficas atuais, que também pecam por não apresentarem a vida em sua profundidade, optando por uma visão alienada da existência e do ser humano, insistindo em mostrar o lado perverso de cada ser que deixa de lado a sua finalidade principal que é a de construir e embelezar o mundo de forma benéfica.

O livro, de outra parte, busca encontrar as causas do declínio da sociedade ocidental. A partir da última década do século 20 começaram a se tornar visíveis alguns indícios de decadência, especialmente retratada na desigualdade social. Isso porque a maior preocupação dos estudiosos está na economia cujo crescimento se mantém estagnado, sem que haja uma nítida percepção do que causou essa situação. Enquanto o Ocidente patina, a China apresenta um crescimento robusto.

Tanto o filme quanto o livro, no entanto, ainda que mostrem a preocupação com a degeneração do mundo ocidental, deixam de focalizar a causa principal dessa decadência, que está na falta de uma educação que prepare o ser humano para construir uma sociedade melhor e mais justa, pois o avanço da miséria econômica é mera consequência de uma decadência maior: a da humanidade em seu conjunto e da perda da qualidade de vida.

A evolução ideológica da humanidade alcançou um ponto culminante com a derrota do comunismo como forma de governo e de organização da produção. Atualmente, a China avança, enquanto os países ocidentais estão estagnados economicamente. No entanto, não podemos nos esquecer que as empresas, na chamada deslocalização, buscaram por menores salários, legislação social e ambiental branda, e paridade cambial favorável.

A China está seguindo as pegadas dos países em seus estágios iniciais da industrialização. Basta verificar a deterioração ambiental para se ter uma ideia de que, no imediatismo da guerra econômica, não há aquela sabedoria que o ser humano deveria revelar diante da natureza e seus mecanismos autorreguláveis. Na verdade, o desempenho econômico também acaba sendo negativo para a melhora das condições de vida para o todo da humanidade, embora tenha possibilitado o aumento das reservas em dólares e do poder que avança ferozmente para conquistar mercados sem a menor preocupação com as consequências de suas investidas. Vale tudo.

A China tem se esforçado em enviar seus estudantes para as melhores universidades americanas e europeias. Eles aprendem as coordenadas da economia financeira do comércio global, e formam a base para a tecnologia e inovação chinesas com custos imbatíveis. No entanto, o que está ocorrendo em muitos países é a terceirização da produção a custo do enfraquecimento da indústria e da consequente redução de empregos. Ou seja, os estudantes chineses estão aprendendo o mesmo que vem sendo ensinado às novas gerações desde o término da Segunda Guerra - um conteúdo voltado unilateralmente para os aspectos materiais de ganho e poder.

Em entrevista para o jornal Folha de São Paulo, realizada durante o festival de Cannes, Robert Redford afirmou que “Algumas coisas se perderam nos EUA. Nossa crença tem sido abatida por escândalos como Watergate. E não terminou. Há uma América que ninguém vê por baixo da propaganda. Decidi que isso será o tema de meus filmes."

Na verdade poucas pessoas estão vendo o que está se passando com a vida. O maior movimento está nas grandes cidades, mas as coisas saíram do controle devido aos abusos nas finanças, nas contas dos governos, na utilização predatória da natureza. As pessoas correm muito, sem ter tempo para si, nem para um olhar reflexivo sobre a vida, enquanto tudo vai caminhando mais e mais na direção do abismo.

Não houve responsabilidade com o futuro da parte dos governos nem das grandes empresas. A prioridade passou a ser o dinheiro e o rendimento dele. A população acomodou-se na indolência sem maiores esforços para compreender o seu papel na sociedade e na vida. As pessoas estão agindo como robôs. Filmes como o de Redford e livros como o de Ferguson passam despercebidos pela grande massa viciada na pipoca e na pancadaria dos filmes em cartaz. Fica fácil perceber que a grande decadência está na própria espécie humana. O mundo precisa da grande regeneração que nos reconduza ao caminho da sociedade realmente humana. Para isso precisamos pesquisar por que nos encontramos nesta Criação e qual a nossa finalidade na Terra.



Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”;“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” ,“A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade”; e “O segredo de Darwin - Uma aventura em busca da origem da vida”(Madras Editora). E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
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