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VELHOS NO CINEMA

Benedicto Ismael C. Dutra
27/02/2014



De fato havia pessoas idosas no cinema, mas não quero falar sobre elas, e sim sobre os personagens de dois filmes que vi recentemente. O primeiro deles, “Amigos Inseparáveis”, se passa numa região urbana de cidade pequena, sem muitos atrativos, com Al Pacino interpretando Val, um ex-presidiário e seus comparsas Doc e Hirsch numa história até que interessante. Enquanto Val e Hirsch buscam por emoções, que podem ser as derradeiras, Doc os acompanha com mais frieza.

O outro filme, “O Quarteto”, tem como cenário um casarão campestre, em meio a um lindo bosque, que abriga músicos famosos aposentados. Tudo é meio devagar, assim como o ritmo dos personagens idosos nesse filme dirigido por Dustin Hoffman que mostra a vida na fase da terceira ou quarta idade, entremeado por música de boa qualidade. Nele, os músicos aposentados se preocupam com a organização de um concerto, cuja arrecadação irá lhes assegurar fundos para o custeio de sua moradia.

O que apresento aqui não é uma crítica dos filmes, aliás muito bem produzidos, diga-se de passagem. O que quero destacar é o significado do conteúdo, pois os filmes têm o poder de influenciar o íntimo das pessoas com o que transmitem. Em ambos, os personagens são pessoas que tiveram boa educação e sabem se comportar, apesar de algumas vezes agirem de forma impulsiva, tomando atitudes incompreensíveis. Mas o que realmente chama a atenção é a vacuidade, a vida vazia de sentido e que dá continuidade ao que já vivenciaram antes da fase da velhice, sem um alvo significativo.

Tudo conspira contra o reconhecimento do sentido da vida, desvalorizando-a como se tivéssemos nascido por acaso, sem o antes nem o depois. O “eu interior” está travado, e as ações sem consistência, sem a força de um querer próprio. As pessoas nascem, crescem, se agridem, num enfado constante, visando as ofensas, sem um vislumbre da grandiosidade que os rodeia.

A vida não está fácil para os idosos, nem para os mais jovens. Tem pouca colheita leve e benéfica. Assim, as pessoas se revoltam, não querem reconhecer a atuação das Leis da Criação, opondo-se a elas, lançando pedras nas engrenagens com o seu descontentamento, rompendo o equilíbrio e a harmonia. A desconfiança é inimiga, e quando se junta com a inveja e o medo, cria o inóspito clima do desamor.

A situação só poderá melhorar diante dos efeitos negativos que se multiplicam, se as pessoas se conscientizarem de que precisam mudar de sintonia, buscando objetivos nobres e elevados, deixando de lado as coisas inferiores. É preciso desejar sempre o bem, tendo consideração pelo próximo, e gratidão no coração pelo dom da vida e pela oportunidade de evoluir, material e espiritualmente. A melhora sempre é possível, dependendo da humildade e da confiança e respeito às Leis do Criador Todo Poderoso. Uma das tarefas prioritárias de nosso existir é a busca de esclarecimentos sobre a finalidade da existência humana, e se isso não for feito desde cedo, a fase da velhice deve ser aproveitada nisso com toda a energia que restar.



Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”,“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” e “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade (Madras Editora)”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
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