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VERÃO ATÍPICO

Benedicto Ismael C. Dutra
08/03/2014



"Não temos mais a garantia de que após uma seca, a estação chuvosa vai repor os reservatórios de água, os lençóis freático e a umidade do solo. Precisamos nos preparar para isso." - Paulo Etchichury

As temperaturas extremas no país, registradas entre janeiro e fevereiro, foram maiores que todas as outras registradas na série de dados de observação disponível que, em muitos casos, superam séries de mais de 50 anos de registros. Nas regiões Sul e Sudeste do Brasil, o calor e a falta de chuva provocaram déficits hídricos e térmicos nas lavouras e pastagens. Segundo o meteorologista, Paulo Etchichury, a explicação para esse verão fora dos padrões está nos oceanos. Primeiro, a condição do oceano Pacífico neutro – sem El Niño e nem La Niña – é responsável por um período de chuvas muito variáveis entre um mês e outro, e de uma região para outra. Em anos com essa condição é comum ocorrerem estiagens regionalizadas, porém sem períodos extremos e duradouros de ausência total de chuva.

"Temos que levar em consideração também o Atlântico. Desde o início de janeiro, ele passou a apresentar águas aquecidas próximas da costa do Rio Grande do Sul e do Uruguai", explica o meteorologista.

Segundo Etchichury, essa condição fez com que as frentes frias em janeiro atuassem mais sobre o extremo sul do Brasil além do Uruguai e Argentina. Portanto, em janeiro e na primeira quinzena de fevereiro, o Sudeste, Centro-Oeste e o Nordeste ficaram sem a atuação das frentes frias, condição atípica para a época do ano. O centro-sul do Brasil ficou sob o efeito constante de uma massa de ar tropical quente e seca, responsável por dias ensolarados e calor extremo, ao invés de ter a atuação das frentes frias. Somente no último fim de semana é que finalmente uma frente fria rompeu este bloqueio. No entanto, para algumas lavouras, esta chuva veio tarde demais. O meteorologista destaca também que está começando um novo ciclo do oceano Pacífico, conhecido como Oscilação Decadal do Pacífico (ODP) fase fria.

"Depois de um período de aproximadamente 30 anos de águas preponderantemente quentes, está começando uma fase de águas frias, a exemplo do observado entre 1945 e 1975. Uma das características desta fase fria é a redução do volume de chuvas no Brasil", diz Etchichury.



Fonte: Mercado do Cacau



Benedicto Ismael Camargo Dutra é graduado pela Faculdade de Economia e Administração da USP, faz parte do Conselho de Administração do Prodigy Berrini Grand Hotel e é associado ao Rotary Club de São Paulo. É articulista colaborador de jornais e realiza palestras sobre temas ligados à qualidade de vida. É também coordenador dos sites www.vidaeaprendizado.com.br e www.library.com.br, e autor dos livros: “Nola – o manuscrito que abalou o mundo”, “O segredo de Darwin”,“2012...e depois?”;“Desenvolvimento Humano”; “O Homem Sábio e os Jovens” e “A trajetória do ser humano na Terra – em busca da verdade e da felicidade (Madras Editora)”. E-mail: bicdutra@library.com.br; Twitter: @bidutra7
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